Grandes Manchetes da História
Mulher de astronauta vai dar menina à luz enquanto o marido trabalha no espaço – G1
O problema é se ela deu algo mais enquanto o marido trabalhava no espaço.
Grandes Manchetes da História
Morre no Rio Herbert Richers – G1
O que seria dos filmes da Sessão da Tarde sem o famoso dito “versão brasileira Herbert Richers”.
Tudo de Ruim
Ando meio avesso a grandes eventos. A idade avança retilínea em minha vida e está afetando meus modos. Basta ver mais de 100 pessoas reunidas que já fico com calafrios. Quão distante está a época em que encarava grandes concertos, festas gigantescas, furdunços homéricos e vozerios do gênero.
Simplesmente, não dá mais. Pra início de conversa, ando prezando demais o espaço. Esse negócio de esbarra-esbarra só se for com uma gazela formosa, a sós, num clima sedoso de pré-gostosura. Meus sovacos clamam por liberdade como nunca. Já fui a lugares em que era impossível sequer encher os pulmões plenamente, de ar ou de fumaça, à escolha do freguês. Não dá mais.
Sofrimento horrendo nessas reuniões descomunais é a aquisição da birita. Filas intermináveis, preços abusivos, gente furando a fila, caixas de monumental lerdeza, pernas doídas. Pior é que quando se alcança as tão sonhadas fichinhas descobre-se que a cerveja vendida é Sol, quente. Isso faz mal meus caros, é este tipo de situação que encurta a nossa vida. Quem é do ramo há de concordar que se perde mais de 50% do evento na labuta em busca da tão necessária catirosca. Pior é que ainda pagamos para estar nesse inferno.
E na hora da fisgada? Não é salutar nem mesmo comentar. Há duas possibilidades: ou você beijará uma boquinha usada ou usarão a boquinha que você usou e que, ingenuamente, pensou que seria sua até o final da noite. As pessoas camufladas pela multidão seguem firmes os ensinamentos da pilantragem. “Vou ali e já volto, tá?” E aquela carinha tão ingênua, tão bonitinha, tão coisinha do papai, some. Nem um beijinho de despedida há.
Aí, na aflição de não ficar boiando tal qual pet no rio, você inicia uma volta. Sozinho, claro. A frase é a mesma, “vou dar uma volta galera”. Não sei por que temos a impressão de que sozinhos ficamos mais atraentes. Paramos em um canto qualquer, estufamos o peito e nos copos aplicamos goles que transmitem certa maldade, uma liberdade transloucada que não passa de cena requentada. Olhamos daqui, dali, nenhuma galega dá bola, acendemos um cigarro, mais alguns goles, uma mexidinha nada natural para demonstrar que curtimos o som, mais cara de aventureiro destemido, e nada. Pior, avistamos a gatinha que foi dar só uma volta nos braços daquele bombado. Resta voltar ao círculo da galera e gastar mais tempo na fila das fichinhas que nos permitirão degustar latinhas de Sol, quentes.
Após várias Sol aquecidas, é hora de procurar o banheiro. Agora sim você se dará conta de que festas gigantescas são pegadinhas do Malandro. Hahahaha, a pressão do rejeito líquido se engrandece, pontadas na região abdominal florescem, você tem a certeza de que não irá agüentar e a fila não anda, pior, fica ainda mais alongada. À sua frente trinta marmanjos arqueados reclamam daquilo que você já sabe.
É quando nasce a excelente idéia de fazer aquele xixi esperto no cantinho. Opa, até que enfim uma dentro. Expomos o arqueiro ao mundo e deixamos que ele faça seu trabalho. O alívio, o alívio. Milésimos de segundos depois uma mão balança seu ombro, a urina se espalha e até respinga em sua calça. É o segurança, ou pior, a polícia. “Pode mijar aí não rapaz, pra que serve esse banheiro aqui?” “É, mas é que eu estava muito apertado, ia acabar mijando na calça”. “Problema seu.” Se você for um cara sortudo, leva apenas um esporro e uma canoa. Se for normal, será convidado a acompanhar a “autoridade”. Por mais que esse episódio não gere maiores conseqüências posteriores, a chatice já está armada. Se você for azarado, talvez volte capado para casa.
Deterei meus escritos por aqui. Há mais o que denunciar. Mas creio que cerveja quente, mulher fugidia, falta de espaço e bronca de meganha já basta. Por isso meus caros, não me convidem para grandes e pomposos eventos que, na boca de todos, serão únicos. Que nada!
No máximo, nos divertiremos em um boteco qualquer cujo garçom me respeita, a cerveja Bhrama é gelada, as jovens coroas são fiéis aos meus galanteios e, caso a coisa aperte, o banheiro feminino sempre estará à disposição.
E tenho dito!
Frases Exatas – A Série
“O homem tem de ser modesto. Tem de olhar para o céu.”
Oscar Niemeyer
Grandes Manchetes da História
Senadores convidam fundação esotérica para explicar apagão – G1
E agora, quem vai explicar os senadores?
Eu, na Marcha

Sabadão, Sol a pino e eu em busca de uma gelada. Rumei para o Centro de BH. Do Centro chega-se a qualquer lugar, tudo é possível, até mesmo visitar a Lua. Como sou um homem de muitas posses e procuro manter isso em segredo, fui de ônibus. Na altura do Parque Municipal, vindo da Av. Carandaí, o coletivo parou.
Um mar de pessoas bloqueava a Afonso Pena. Como já estava próximo do destino, resolvi finalizar o trajeto a pé. Para tal, me embrenhei na multidão que caminhava sob um calor de trincar o asfalto. Foi então que descobri que participava, involuntariamente, da Marcha para Jesus. E afirmo, Jesus tem um exército de dar inveja. Quanta gente oferecendo sua lealdade ao filho do Homem.
Engraçado é que a liturgia religiosa carrancuda, solene, distante do mundo real, não existia ali. Mérito do novo movimento religioso instituído pelos protestantes e encampado por setores da Igreja Católica. Aquela era uma marcha protestante, organizada pela igreja do Bispo Estevam Hernandes e de sua esposa, Sônia. Esses dois sabem do que o povo gosta: Festança! E esse era o clima, agitação máxima, suor, música moderna, idêntico a uma micareta.
Chamou-me a atenção a quantidade de jovens que integravam a passeata. E mais, fiquei espantado com a abundância de galegas vistosas que louvavam o Senhor. Cheguei a suspeitar que rolavam algumas paqueras, mas isso não posso afirmar pois não vi nada de concreto acontecer. Mas que tinha marmanjo de conversinha mole no pé do ouvido, isso tinha.
E lá iam dois trios elétricos, cada qual destilando toneladas de decibéis sagrados nos ouvidos da galera. “É isso irmãos, marchando para derrubar gigantes”, dizia um deles. Sinceramente, não sei de quais gigantes ele tratava, mas devia ser coisa da pesada. Numa vi alguém juntar uma turma tão grande para uma briga. Outro narrador festeiro esbravejava, “aqui ninguém precisa de uísque, de cachaça, de droga nenhuma, pois nós temos a alegria de Jesus no coração”. E a tropa ia ao delírio, “aleluia, aleluia, aleluia!!!” Nessas horas a moçada das caixas de isopor, que sem saber tinha se abastecido com várias latinhas de Skol, fazia cada cara… Fiz questão de comprar uma só para aliviar a barra dos brothers.
Logicamente me senti intimidado e também eu levantava os braços com ardor, fazendo questão de abafar minha total falta de fé. Eu gostei mesmo foram das passagens em que a milícia de JC escorraçava o Tinhoso. Nossa Senhora!, nem no Mineirão, com o Galo fazendo gol nos descontos, presenciei tamanha paixão. O líder do microfone dava a deixa, “vamos expulsar Satanás do mundo”, e a galera mais que depressa começava a gritar e a levantar a mãos e a pular e a correr e a chorar e tudo o mais que se possa pensar. Inclusive, num desses momentos de êxtase pleno, uma senhora veio me abraçar toda suada dizendo “Glória ao Senhor”. Abracei-a, soltei um sorriso de satisfação e depois saí de fininho. Já estava quase sendo convertido.
Apertei o passo e rumei para o começo da marcha. E qual não foi minha surpresa ao constatar que Jesus tem um motoclube. É isso mesmo. São os “Águias de Cristo”, todos de roupas pretas, motos potentes, caras de mau, barbas e tudo mais que um motoclube pede. E os danados ainda gostavam de acelerar as magrelas, ao melhor estilo Selvagem da Motocicleta. Só acho que o nome mais adequado seria “Pombas de Cristo”, por motivos óbvios.
Resolvi me desviar do trajeto que a marcha seguia. Já estava satisfeito, de alma lavada e abençoada. Prometo que da próxima acompanho do começo ao fim.
Aleluia irmãos!
Esqueletos no Armário
Nada como a internet e sua capacidade de armazenar as contradições. Vasculhava os arquivos da Folha de S.Paulo, com o intuito de escrever um texto sobre o racionamento de energia de FHC e a queda de energia ocorrida na última terça quando me deparei com uma pérola, que reproduzo abaixo.
FHC diz que Sarney à frente do Senado seria “maravilha” (para assinantes)
ELIANE CANTANHÊDE
DIRETORA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Fernando Henrique Cardoso admite a renúncia de Jader Barbalho (PMDB-PA) à presidência do Senado e já torce até para um candidato ao cargo: José Sarney (PMDB-AP), ex-presidente da República e do Senado.
Numa conversa com FHC na quinta-feira à tarde, no Palácio do Planalto, a Folha perguntou se Sarney seria o novo presidente do Senado. FHC respondeu de pronto: “Tomara! Ele é um ótimo nome. Tem dimensão, experiência e não causa problema”.
Pois é, lembram-se do rebuliço causado pelo próprio Sarney há poucos meses? Lembram-se do massacre aplicado sobre Lula? Pois é… E por favor, não defendo a defesa oferecida a Sarney. Mas não há como não enxergar o tratamento dispensado a quem não faz parte do “Clube”, como Lula.
É por essas e outras que afirmo duas coisas sem medo de errar:
1 – A imprensa, fazendo jornalismo, é um ótimo partido político.
2 – Sarney é imortal, e não só por ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.
Voltarei com o texto sobre o apagão.
Frases Exatas – A Série
“O jornalismo é a técnica de separar o joio do trigo e publicar o joio.”
Walter Lippman
Um Estudo Científico

Homo mulus fotografado em seu habitat
Se nesses tempos modernos algumas espécies animais e vegetais foram consumidas, ou estão na eminência de serem, outras surgem vigorosas e prometem ocupar os espaços em branco de nosso planeta Brasil. Uma delas é o homo mulus.
Essa nova formatação do reino Animalia (lembram-se da regrinha aprendida em biologia, REFICOFAGE?) pode ser facilmente avistada em avenidas movimentadas de grandes cidades, terrenos baldios transformados em depósitos de lixo, sedes de associações destinadas a organizá-los e outros pontos marcados da urbe.
Seu fenótipo se confunde com o de outras espécies de parentesco próximo, como o homo mendicus ou o homo pauperis, com características evidentes como cobertura externa de cor escura, pêlos grossos, cavidades bucais proeminentes, nariz de notada envergadura e avantajada formação óssea e muscular. Dada a interação com outros grupos e gêneros, as três espécies tratadas acima apresentam variações resultantes de cruzamentos, como branqueamento de sua cobertura corporal e a inibição do pleno desenvolvimento físico.
Como o foco do presente trabalho científico é o homo mulus, partamos agora para a análise de seus hábitos.
Tal espécie se dedica exclusivamente à coleta como meio de sobrevivência. Despendem cerca de 15 horas diárias na tarefa de catar rejeitos de outra espécie, também de parentesco próximo, mas um pouco à frente na escala evolutiva, o homo reiks.
Sua estratégia consiste em vasculhar os locais destinados ao despejo de resíduos considerados inúteis e sujos pelos homo reiks e transformar tal descarte em nutriente ou moeda de troca. Esta ação por vezes afeta decididamente a biologia do homo mulus, causando-lhe danos na saúde e na psique.
Uma vez selecionado o material, o homo mulus o aloca em um compartimento externo manufaturado, composto de madeira, assemelhado a uma carroça, e o move valendo-se da energia produzida por suas patas posteriores. É de suma importância salientar que não há vias de locomoção seguras para o homo mulus, o que o leva a lutar por espaço com os artefatos de locomoção utilizados pelo homo reiks, uma briga injusta que coloca em risco a existência de nosso objeto de estudo.
Explanado o meio de sobrevivência do homo mulus, é relevante sublinhar o seu comportamento quando no trato com os de sua espécie. Valendo-se de uma linguagem pouco desenvolvida, entremeada por vocalizações monossilábicas muito utilizadas para expressar a raiva, pode-se afirmar que o homo mulus não tem como preocupação a polidez ou demonstrações de afeto, muito em função de sua vivência brutalizante, o que o leva a adotar um comportamento natural de autodefesa contra seus irmãos e seus parentes mais próximos.
As atividades não relacionadas à sobrevivência direta levadas a cabo pelo homo mulus são de difícil catalogação, visto que essa conduta não é naturalmente oferecida a esta espécie. Há registros do uso de substâncias alcoólicas e psicoativas, o que a comunidade científica tem reiteradamente descrito como uma autêntica ferramenta de manutenção de suas primárias faculdades mentais frente à extenuante jornada diária imposta a estes seres.
Apesar dos variados óbices descritos acima, dada a conjuntura atual do ambiente em que predomina o homo mulus, não soaria como exagero afirmar que esta espécie guarda todas as condições de prosperar e chegar ao ponto de se tornar predominante no planeta Brasil.
Grandes Manchetes da História
Pobres já gastam 5% mais que ricos – Estadão
Essa sim uma manchete histórica. Sobra aos desavisados mal-intencionados classificar o Bolsa Família como um simples projeto eleitoreiro. Não enxergam que o voto é consequência do programa, e não o contrário.
Sinto que uma parte do problema começa a se resolver. Pena que ainda falte tanto para considerarmos o Brasil um país que trilha decididamente o caminho do desenvolvimento.
Fato é que estamos mais próximos do razoável tratando-se de distribuição de renda, salários e emprego. Um bom começo. Não se deve é relaxar e pensar que daqui em diante o processo se dará de maneira automática, o que, convenhamos, não é difícil acontecer quando está na mesa o Brasil.
Frases Exatas – A Série
“Se tiver de brigar, entre para ganhar.”
Francisco Ferraz
Flagra
Seguinte. Estava eu navegando pelo site da Folha Online quando sem querer meu mouse passou sobre uma propaganda da PUC-SP, que traz Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados, como astro principal. É daquelas propagandas que ficam em pequenas janelas que aumentam de tamanho quando o mouse percorre sua superfície. Algum espertinho já havia feito das suas. Não sei se alguém mais notou, mas… vá lá, confiram a imagem. O anúncio está aqui.

Se alguém descobrir o que quer dizer PJC ganha um doce.
Curisco
Recomendo assistir o documentário por completo. Mas a cena final dessa parte já vale a pena.
Notícias de uma Guerra Particular
Deveras Pragmático
“Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem. Se ela for, voto nela, com a esperança de que ela, com sensatez que sempre demonstra, acolha a complexidade da realidade. E, no poder, seja mais pragmática que Lula.”
“O Serra foi um excelente ministro da Saúde. Agora, ele é o tipo do cara que, se tivesse ganho no lugar de Lula, em 2002, teria trazido mais problemas à economia brasileira. Ele teria feito um governo mais à esquerda e a economia talvez tivesse problemas que não está tendo porque o Lula fez a economia de direita. E ouve os conselhos de Delfim Neto, que o Serra não ouviria. O Lula foi mais realista que o rei.”
Estes são trechos da entrevista que Caetano Veloso concedeu ao Estado de S.Paulo. Bem, só coloquei os dois fragmentos para mostrar como as pessoas são contraditórias quando defendem uma causa acima de qualquer análise racional.
Primeiro o nobre baiano diz que tem esperança que Marina seja mais pragmática que Lula. Uma sandice, pois Marina, pelo que demonstra, não trocará a pauta ambiental pelo desenvolvimento a qualquer custo, o que não é ruim, diga-se. Por exemplo, a pré-candidata do PV não pressionará os órgãos ambientais para que liberem a construção de uma usina hidrelétrica de grande impacto em determinado ambiente. Lula não pensa assim, tanto que, por detrás das cortinas, apeou Marina do Ministério do Meio Ambiente. Pragmatismo na veia.
Mas nem precisaria escrever tudo isso. Basta ler que o distinto cantor e ex-revolucionário afirmou que Lula conduziu a economia espelhando-se na direita, o que é verdade tratando-se do primeiro mandato, pois no segundo houve uma política mista de cumprimento de metas concomitante ao aumento de gastos em investimentos e remuneração de servidores, receita mais à esquerda.
Uai, então, alguém precisa de exemplo maior de pragmatismo?
Qual presidente eleito pelo PT teria como conselheiro Delfim Neto, antigo ministro do Regime Militar? Overdose de pragmatismo.
Fiquei sem entender o que Caetano quis dizer. O que eu quero dizer é que nunca antes na história desse país houve um presidente tão pragmático.
E quanto à indelicadeza de atacar Lula por sua formação escolar e discurso obscuro, sem comentários. Isso não se discute mais, pois o mundo já enxergou antes que muitos brasileiros que o palavrório pomposo sem respaldo na ação de nada adianta. Pela experiência, meu próximo presidente seria um pedreiro analfabeto completo, pois com os intelectuais já vi que a coisa não anda. O povo morre de fome e eles discutem o sexo dos anjos.
Pra fechar, um recado ao Caetano: Quando você surgiu como grande cantor, que de fato é, a geração mais velha também o achava grosseiro, ridículo, inconveniente, incivilizado.
É criançada, o mundo gira.
Lux Luxo

Senhoras e senhores de boa fé, vos digo: O mundo anda numa taradice que só vendo. Os nervos estão à flor da pele e o sexo escorre dos poros negros, brancos, amarelos e demais cores raciais. Nunca antes na história desse país aquela famosa frase guardou tamanha propriedade: Eles só pensam naquilo!
E como cheguei a essa constatação brutal? Meus nobres devassos, basta caminharem um pouco pelas ruas de nossas cidades para constatarem que os olhos fugidos têm direção certeira, as bundas e os peitos alheios. Caso haja tempo, o rosto também é merecedor de uma olhadela.
Lá vem aquela coisinha charmosa, toda saltitante, peitinhos empinados, rostinho de inocência e um rabo tão magnético que seria capaz de inverter os polos elétricos da Terra. Ela passa, finge que ninguém a mira e avança com dúzias de olhos colados em seus glúteos carnudos. Ela segue e a bunda cantarola “tenho… mas não te dou; tenho… mas não te dou; tenho… mas não te dou”.
Enquanto aquela bunda segue, os barbados continuam hipnotizados com a boca cheia de água. Não dá outra. Uns trombam em postes, vários se chocam com outras pessoas, alguns quase são atropelados e ainda existem aqueles que fazem tudo isso de uma só vez. E a mocinha segue, incólume, altiva, satisfeita por aquela transa em praça pública à luz do dia. Ora, então isso não é uma transa? Quantos filhos já foram desperdiçados em banheiros Brasil afora devido àquela espetada de tesão despertada na rua?
E vocês, mulheres, acham que escapam da luxúria coletiva… Que nada, vocês sabem camuflar os olhares por detrás dos óculos escuros. Ah!, jovens ninfas que esquivam-se das encaradas diretas para banharem-se de soslaio, miram de ladinho, embaixo, no ponto. Gostam também de apreciar um traseiro, não neguem. O diferencial é que vocês não deixam transparecer o atordoamento, até porque sempre foram espertas, mas duvido que não levem para casa um pouco da poeira das ruas que vem infestada de desejo.
O que suponho é que todos querem comer todo mundo. A sociedade anseia por empanturrar-se num banquete sexual coletivo sem pausas para o cafezinho e sem camisinha, pois a camisinha funciona como uma represa a embargar a confluência dos líquidos do prazer.
Antevejo o dia em que as ruas serão tomadas pela orgia. “Por favor, me dê um pastel, uma Coca e uma foda”, assim, bem natural, sem alarde. Soa estranho, mas não duvidem meus caros, não apostem contra a loucura desse mundo.
Eu já estou me preparando. Que venha a putaria final!
Escuta aí
Buddy Guy & Junior Wells – Baby What You Want Me To Do That´s Allright
